Com marcha, troca de uniforme e emoção das famílias, mulheres ingressam no serviço militar inicial em Santa Maria

Com marcha, troca de uniforme e emoção das famílias, mulheres ingressam no serviço militar inicial em Santa Maria

Fotos: Vinicius Becker (Diário)

Uma a uma, perfiladas, 39 jovens passaram pelos portões da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, de Santa Maria. É a forma simbólica de representar o ingresso no serviço militar. A partir de agora, elas terão a responsabilidade de servir a pátria e carregar consigo o pioneirismo de estar na primeira turma feminina de soldados. Nunca antes uma mulher ocupou esse espaço. A conquista foi celebrada e oficializada na manhã desta sexta-feira (6) durante cerimônia com a presença de familiares, autoridades e os novos soldados que passam a fazer parte da guarnição da cidade.


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Após a passagem pelo portão, de camiseta branca e calça azul, homens e mulheres marcharam em direção a bandeira do Brasil. Depois, vestiram a tradicional farda camuflada na cor verde oliva e foram recebidos pelo comandante da 3ª Divisão de Exército, general Marcus Alexandre Fernandes de Araújo, e demais autoridades das guarnições militares de Santa Maria. De modo representativo, na solenidade, esse é o momento em que deixam de ser indivíduos isolados e passam a fazer a integrar a instituição.

Momento da entrada do efetivo na 6ª Brigada

Durante a cerimônia, o comandante destacou o significado do momento para os novos soldados. Em mensagem direcionada aos jovens, ressaltou que o ingresso nas fileiras do Exército representa um compromisso com a defesa do país e com os valores da nação.

– Hoje vocês assumem um honroso compromisso com a pátria ao ingressar no Exército Brasileiro por meio do serviço militar inicial – disse o general, durante a cerimônia.

O general também destacou que, neste ano, o serviço militar inicial ganhou um capítulo inédito com a incorporação das primeiras mulheres soldados. Em todo o Brasil, são 1.010 jovens distribuídas em 38 organizações militares. Em Santa Maria, 39 foram incorporadas em três unidades da guarnição.

O comandante da 3ª DE foi quem recebeu os novos soldados


“Conseguimos preencher todos os espaços que podem ser ocupados por elas”

Após a cerimônia, o general Marcus Alexandre Fernandes de Araújo explicou que a incorporação dos jovens ocorreu oficialmente no dia 2 de março, quando começaram as atividades nas unidades militares. A solenidade desta sexta-feira teve caráter simbólico e marcou publicamente o ingresso dos novos soldados.

– Eles entram em trajes civis pelo portão do quartel, que chamamos de portão das armas, em coluna, um a um. Isso simboliza o compromisso individual de cada um ao ingressar. Depois, trocam de roupa, vestem o uniforme camuflado e entram em forma. A partir daí deixam de ser indivíduos isolados e passam a ser uma coletividade: soldados do nosso Exército – explicou.

O comandante também ressaltou a importância da chegada das mulheres ao serviço militar inicial, uma etapa que ainda não havia sido aberta ao público feminino.

– O Exército vem ampliando as oportunidades para as mulheres desde a década de 1990. Tivemos a entrada em cursos de formação e, em 2021, a formação das primeiras oficiais de carreira na Academia Militar das Agulhas Negras. O que ainda não existia era a participação delas no serviço militar inicial. A partir de 2026, mesmo em caráter piloto, conseguimos preencher praticamente todos os espaços que podem ser ocupados por elas – afirmou.

Durante o período de um ano de serviço militar, os jovens passam pela chamada instrução individual básica, etapa voltada à formação do combatente. De acordo com o general, além da preparação militar, o objetivo é contribuir para a formação cidadã dos soldados:

– Esperamos que, ao final desse período, além de soldados do Exército, eles retornem à sociedade como cidadãos mais conscientes dos seus deveres.


O serviço militar

O serviço tem a duração de aproximadamente 12 meses, prorrogáveis anualmente, podendo chegar a até oito anos, caso haja acordo mútuo. Durante a incorporação, elas terão acesso a benefícios como remuneração, auxílio-alimentação, licença maternidade e contagem de tempo para aposentadoria.

Em 2027, de acordo com a 3ª Divisão de Exército (DE), o número de vagas destinadas às meninas será maior. Serão 116 vagas em seis quartéis – quase três vezes mais que em 2026.


A emoção dos familiares

A emoção e a celebração de familiares também ditou o tom da solenidade. Muitos registravam o momento com celulares, enquanto outros se emocionavam ao ver filhos e filhas atravessando o portão do quartel e vestindo pela primeira vez o uniforme do Exército. A enfermeira Lidiana Dutra Silveira, 46 anos, acompanhou de perto o ingresso da filha, Ana Carolina Dutra Silveira, 18. Com os olhos marejados durante a solenidade, ela descreveu o momento como um misto de orgulho e realização.

É uma emoção indescritível enquanto mãe e enquanto mulher também. É um orgulho imenso ver a minha filha ter essa oportunidade, ainda mais em um momento tão importante para a sociedade feminina – afirmou.

Lidiana acompanhou, emocionada, a cerimônia de incorporação da filha

Segundo Lidiana, o ingresso no Exército não era um plano traçado pela família. A decisão surgiu quando a jovem soube da possibilidade de participar da primeira turma feminina. Sem histórico militar na família, Ana Carolina também se torna pioneira dentro de casa. Para a mãe, a experiência pode contribuir não apenas para a formação profissional, mas também para o desenvolvimento pessoal da jovem:

– É uma formação muito importante, ética, intelectual e de responsabilidade. Ela vai aprender valores e rotinas que vai levar para toda a vida, independentemente da profissão que escolher no futuro – destacou.

Para Lidiana, ver a filha entre as primeiras mulheres a ingressarem no serviço militar inicial tem um significado que vai além da conquista individual.

Elas estão fazendo história. É uma oportunidade de mostrar que as mulheres também fazem a diferença – completou.


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